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Meu eu Elis




Sentir o sentimento de quem não me é contemporâneo...
Ah Elis...Hoje compreendo tão bem seus sentimentos,
Nesta manhã de solidão e desprendimento,
Dividindo meu silêncio com o papel branco e as quatro paredes verde-agua.
Aquela insatisfação...
A rotina entediante do cotidiano angustiante,
A necessidade de contentamento imposto pela sociedade opressora e careta.
A ditadura que te oprimiu
Também me oprime em novos tempos;
A roupagem dos opressores mudou,
A linguagem é nova....mas o objetivos são os mesmos.
No meu peito também tenho medo...
Medo de ser eternamente insatisfeita com as coisas a minha volta,
Mas não é medo de não ter satisfação...
É medo de ganhar a solidão em meio a tanta insatisfação;
Mas quando se esta sozinho, qual seria a coerência desse medo tolo?
Esse querer constante de mudar tudo a todo instante,
De querer virar a casa de ponta à cabeça,
De começar do zero quando nada mais agrada,
Esses amores que nunca perpetuam,
Essa batida perfeita que nunca chega,
Essa canção de dor que ecoa,

E agora esse sino dos ventos que toca na varanda e faz meu peito tremer.


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